quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Mãos dadas

2018 foi um ano difícil no âmbito político, social, cultural e econômico, perdemos muitos direitos, vivemos muitos retrocessos, mas na nossa pequena bolha, para o Grupo X foi um ano de conquistas. Conseguimos realizar quase tudo que planejamos (faltou o livro, mas logo, logo ele chega), fizemos uma festa bonita para nossos 20 anos, com um elenco maravilhoso que nos acompanhou ao longo do ano; participação em eventos importantes como Festival VivaDança, Abril Corpo; parcerias deliciosas e importantes como a do Palacete das Artes e Casarão Barabadá; relembramos trabalhos do nosso repertório, fortalecemos as pesquisas em espaços urbanos e não-convencionais; tivemos um público atencioso que se mostrou presente em todas as atividades; compartilhamos amor e arte com nosso Euphorico; mantivemos nossas pesquisas nas sextas-feiras com muita gente nos procurando para estar pertinho... 

Enfim, apesar de tudo, conseguimos produzir com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e desejamos que mais projetos sejam beneficiados, que mais artistas tenham o que comemorar, que a plateia cole junto para prestigiar a produção local e fortaleça essa rede. Afinal, o combinado não foi "ninguém solta a mão de ninguém"? Pois bem, no que tange a arte (e ela cada vez mais se faz importantíssima) são os encontros e presenças que fortalecem esse mercado. Cuidem com cuidado, frequentem os espaços culturais, paguem os ingressos que sabemos não são caros se comparados a grandes produções, a cinemas, restaurantes, bares... 

Em 2019, vamos juntos e de mãos dadas!



Por falar nisso, lembrei de uma poesia e de um poeta:

Mãos Dadas
Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes
A vida presente

#MariellePresente