terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Teaser Se você quiser...


Por Edu O.

O espetáculo Se você quiser... tem uma importância muito grande para o Grupo X. Além de ser o trabalho criado para comemorar os nossos 20 anos, esse projeto - contemplado pelo Edital Setorial de Dança 2016 - possibilitou ao grupo estar nas ruas de Salvador, apresentando sua estética diferenciada e particular, oferecendo audiodescrição para quem quisesse experimentar, democratizando a arte para um público mais amplo.

Tivemos experiências marcantes com esse trabalho, como aquele encontro com o taxista que saiu do carro para dançar conosco, ao som de Roberto Carlos, na porta de Dona Judite, no Santo Antônio Além do Carmo; a participação de crianças em todas as nossas apresentações; a participação do pipoqueiro que nos acompanhou na última cena do Rio Vermelho; as flores de papel fazendo brisa nos corpos do pessoal do CAP, na Praça da Piedade; os barquinhos no jardim do Palacete das Artes...


Tantas lembranças que nos fazem perceber a importância de encontrar um público diverso, compreender a cidade como experiência estética, política e artística, de como devemos sair dos muros dos teatros, das Universidades, dos espaços que restringem os encontros; de como devemos nos encontrar.

Esse projeto também trouxe de volta o Grupo X para a cena local que, na maioria das vezes, é tão ingrata com seus artistas.

Pudemos compartilhar a experiência de 20 anos com artistas jovens que trouxeram novas rotas para nosso trabalho e junto com artistas experientes.

Trabalhamos com uma equipe engajada, competente, maravilhosa na produção, comunicação, fotografia, e video, fortalecendo a cadeia de produção da Dança, na cidade de Salvador.

Bem, penso que é importante frisar a importância da cadeia produtiva da Dança, nesse momento em que perdemos - cada vez mais - os recursos, os incentivos, quando os editais são escassos e os meios de financiamento desaparecem. A cultura dá emprego, gera renda, movimenta uma cadeia grande de serviços, comércio, transporte. Em cada espaço que ocupamos, fazemos girar a economia daquele local, com o público que também faz parte disso tudo.

Um espetáculo que tratava das nossas memórias coletivas e individuais que criava, a cada dia, novas memórias. Assim como é a vida!

Agradeço especialmente a Fafá Daltro, Natalia Rocha, Taynah Melo, Aline Lucena, William Gomes, Diane Portella, Iran Sampaio, Daiana Carvalho, Talita Avelino, Andréa Daltro, Rafael Rebouças, Joice de Oliveira Faria, Daniel Guerra, Aldren Lincoln, Mônica Santana, Karlene Rios, Bia Bem, Juniro Almeida e Iracema Vilaronga que fizeram parte dessa equipe.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Mãos dadas

Por Edu O.

2018 foi um ano difícil no âmbito político, social, cultural e econômico, perdemos muitos direitos, vivemos muitos retrocessos, mas na nossa pequena bolha, para o Grupo X foi um ano de conquistas. Conseguimos realizar quase tudo que planejamos (faltou o livro, mas logo, logo ele chega), fizemos uma festa bonita para nossos 20 anos, com um elenco maravilhoso que nos acompanhou ao longo do ano; participação em eventos importantes como Festival VivaDança, Abril Corpo; parcerias deliciosas e importantes como a do Palacete das Artes e Casarão Barabadá; relembramos trabalhos do nosso repertório, fortalecemos as pesquisas em espaços urbanos e não-convencionais; tivemos um público atencioso que se mostrou presente em todas as atividades; compartilhamos amor e arte com nosso Euphorico; mantivemos nossas pesquisas nas sextas-feiras com muita gente nos procurando para estar pertinho... 

Enfim, apesar de tudo, conseguimos produzir com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e desejamos que mais projetos sejam beneficiados, que mais artistas tenham o que comemorar, que a plateia cole junto para prestigiar a produção local e fortaleça essa rede. Afinal, o combinado não foi "ninguém solta a mão de ninguém"? Pois bem, no que tange a arte (e ela cada vez mais se faz importantíssima) são os encontros e presenças que fortalecem esse mercado. Cuidem com cuidado, frequentem os espaços culturais, paguem os ingressos que sabemos não são caros se comparados a grandes produções, a cinemas, restaurantes, bares... 

Em 2019, vamos juntos e de mãos dadas!




Por falar nisso, lembrei de uma poesia e de um poeta:

Mãos Dadas
Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes
A vida presente

#MariellePresente

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Mais festa no Palacete


Nosso espetáculo "Ana tem medo do escuro" será apresentado dia 16/11//2018, no Palacete das Artes, às 18h, no Palacete das Artes, gratuito. Essa apresentação é parte das comemorações de 20 anos do grupo e conta com a participação de Fafá Daltro, Edu O., Aline Lucena, Iran Sampaio e do músico Felipe Sousa.



fotos de Edu O.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Ana tem medo do escuro - no Palacete das Artes

No dia 16 de novembro, às 18h, o Grupo X de Improvisação em Dança ocupa o jardim do Palacete das Artes, no bairro da Graça, com o espetáculo Ana tem medo do escuro, inspirado em acontecimentos que põem em discussão os desencontros e as impossibilidades de acesso ao viver do mundo comum.

A performance traz trechos de “Querido amigo”, texto de Maíra Spanghero, que revela poeticamente as nuances do cotidiano social, do viver solitário e as boas lembranças que estão atreladas. O bailarino Edu O. enfatiza que Ana tem medo do escuro fala das urgências que afetam as relações, de como os caminhos se bifurcam, desviam, divergem, convergem para, mesmo em espaços restritos, resolver momentaneamente as situações que se apresentam.

A pesquisa de movimento explora as tendências da dança contemporânea, com ênfase nos processos colaborativos e focaliza a organização do espaço, do tempo e do movimento, para criar condições de conexão entre os dançarinos e o espectador no contexto que está sendo construído: o lugar restrito.

Em Ana tem medo do escuro, o olhar do coreógrafo/dançarino improvisador se exerce de acordo com inúmeras interferências, que se inter-relacionam em função do momento presente. “Entendemos que o espectador e dançarino improvisador percebem, interpretam e dançam a cada encontro as experiências do corpo, porém, cada um a seu modo”, explica a coreógrafa Fafá Daltro.

O Grupo X de Improvisação em Dança completa 20 anos em 2018 e, desde o mês de Abril, vem realizando uma série de atividades em comemoração. O projeto acaba no dia 14 de dezembro com a montagem Se quiser, deixe sua lembrança!.

Grupo X

Fundado como projeto de extensão da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia pelos professores Fafá Daltro e David Iannitelli, o Grupo X explora, para além da pesquisa acadêmica, a criação artística, levando em conta questões relacionadas à acessibilidade e reflexões pertinentes à investigação e configuração em dança contemporânea, que tenham a improvisação cênica como eixo condutor.



Com coordenação do professor Edu O. e direção artística de Fafá, a companhia é formada hoje por nove dançarinos/coreógrafos/pesquisadores –  Fafá Daltro, Edu O., Taynah Melo, Natalia Rocha, Diane Portella, Iran Sampaio, William Gomes, Aline Lucena, Nei Lima e também conta com as cantoras convidadas Andréa Daltro, Talita Avelino e do músico Felipe Sousa.


foto Aldren Lincoln

domingo, 21 de outubro de 2018

Superfícies Flutuantes no Palacete das Artes



Mais do que nunca, o trabalho do Grupo X mostra-se atualíssimo.
Nossa nova performance, intitulada Superfícies Flutuantes cria jogos de manobras silenciosas, redes sutis, sensibilidades aparentes, manipulações de poder através da manipulação de bonecos articulados e como isso interfere nos corpos dos dançarinos. 
Tudo isso nos remete aos acontecimentos pelo quais estamos passando nesse momento político, social, econômico que impedem o acesso a lugares de direitos dos indivíduos...
O jogo do poder se encontra nas plataformas…. Como os dançarinos respondem a essas manipulações? Quando o jogo muda e o público se encontra no lugar do outro manipulado?
A apresentação do dia 26/10 (próxima sexta-feira) é parte das comemorações dos 20 anos X e da parceria com o Palacete das Artes. 
Superfícies Flutuantes
Quando: 26/10/2018 - 18h
Onde: Palacete das Artes
Quanto: gratuito
Elenco: Fafá Daltro, Edu O., William Gomes, Nei Lima, Diane Portella, Pamela Rinaldi e Iracema Vilaronga.
Musicista: Talita Avelino
Participação: Rudá e Valentina

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Estreia de Superfícies Flutuantes no Congresso UFBA




Dia 17 de outubro, o Grupo X de Improvisação em Dança apresentará sua mais recente pesquisa intitulada Superfícies Flutuantes, integrando a programação do Congresso da UFBA.

Esta proposta de intervenção artística  lança um convite ao público transeunte para interferir  na obra, manipulando bonecos articulados que estarão sobre plataformas construídas com tecido, papelão e lona. Cada plataforma e tudo que nela está ¬ bonecos articulados, roupas, objetos ¬ são uma superfície móvel, sujeita a alterações pela ação manipulatória do público. As ações performáticas irão corresponder às ações de intervenção do público… ou seja, para que as performances aconteçam é necessário  elaborar manobras com os bonecos articuláveis. 

Manobras silenciosas, redes sutis, sensibilidades aparentes, manipulações de poder… tudo isso nos remete aos acontecimentos pelo quais estamos passando nesse momento político, social, econômico que impedem o acesso a lugares de direitos dos indivíduos….. O jogo do poder se encontra nas plataformas…. como os dançarinos respondem a essas manipulações? Quando o jogo muda e o público se encontra no lugar do outro manipulado?  

O ambiente dessa obra é uma espécie de “mundo virtual” construído para permitir as diversas possibilidades de interações entre corpos e objetos e corpos e corpos. Dentro dessa espacialidade, a interatividade ocorre por laços invisíveis e flexíveis, uma rede formada com todos os agentes, seja ele de qualquer ordem e imprimindo qualquer tipo de ação, um toque, um olhar, um mover. Se não descobrimos sozinhos o que fazer com a potência desses encontros, os rastros deixados e afetações que nos atormentam, juntos resolveremos melhor.

Nessas relações, se constroem as estruturas do coletivo e do indivíduo a partir de situações e do modo como o corpo materializa as proposições, criando os vínculos necessários para expor o que se deseja comunicar. Afetos, lembranças, aproximações, distanciamentos e humores passarão por distintos corpos para dar vazão a essa criação. 

O aporte teórico se baseia no conceito de corpomídia (GREINER e KATZ, 2005), que o entende como apto cognitivamente para dialogar com os mundos possíveis de seu entorno, juntamente com as considerações sobre o espaço de Lucrécia Ferrara (2012) que busca descobrir, no suporte espaço, suas condições de mediação que o levam a transmitir sua própria capacidade comunicativa. Participam dessa ação professores, estudantes de graduação, pós-graduação e comunidade externa.

O trabalho segue para apresentação dia 26 de outubro, às 18h, no Palacete das Artes, como parte das comemorações de 20 anos do Grupo X. 

Elenco: Fafá Daltro, Edu O., Aline Lucena, William Gomes, Taynah Melo, Nei Lima e participação do músico Felipe Sousa.


Serviço

O que? Superfícies Flutuantes
Onde? Área externa do PAF III da UFBA
Quando? 17/10/18, às 17h:30min
Quanto? Gratuito